Socorristas relatam cenas dramáticas em meio a novos tremores; Tailândia também registra vítimas e desaparecidos
Cinco dias após o terremoto devastador de magnitude 7,7 que atingiu Mianmar, o país ainda enfrenta uma situação crítica, com prédios desabando e novas vítimas sendo resgatadas dos escombros. De acordo com as últimas atualizações, ao menos 2,8 mil pessoas morreram, mais de 4,3 mil ficaram feridas e centenas seguem desaparecidas, segundo informações de agências internacionais.
O terremoto, ocorrido na sexta-feira (28), teve epicentro localizado a 16 km a noroeste da cidade de Mandalay, na região central de Mianmar, e seu impacto foi ampliado pela baixa profundidade do epicentro, de apenas 10 km. O tremor também foi sentido com força na Tailândia e na China.
Além das vítimas fatais e dos milhares de feridos, a situação se agravou com os sucessivos tremores secundários, que continuam provocando o colapso de prédios e dificultando as ações de resgate. Na noite de segunda-feira (31), dois hotéis desabaram em uma área próxima ao epicentro, aumentando o temor de mais soterrados. Entre as histórias de sobrevivência, uma mulher grávida foi resgatada após ficar presa por horas sob os escombros, e um homem foi encontrado vivo mais de 100 horas após o abalo inicial.
Tailândia também foi impactada
Na Tailândia, a tragédia também causou estragos. Um arranha-céu em construção em Bangkok desabou durante o terremoto, deixando 101 pessoas desaparecidas sob os escombros. Oito mortes já foram confirmadas no país vizinho.
Estado de emergência e pedido de ajuda internacional
A junta militar que governa Mianmar decretou estado de emergência em seis regiões, incluindo Mandalay, Sagaing e a capital. Em um movimento raro, o regime pediu ajuda humanitária internacional, solicitando doações de insumos médicos e apoio técnico para as equipes de resgate.
Organismos internacionais, como a União Europeia, França e Índia, já anunciaram que irão enviar auxílio. Os Estados Unidos alertaram que o número de vítimas pode ser ainda maior e que as perdas econômicas são severas, especialmente porque as áreas mais atingidas concentram comunidades que vivem em estruturas vulneráveis.
Crise agravada pela guerra civil
A tragédia acontece em um momento delicado para Mianmar, que sofre há quatro anos com uma guerra civil após o golpe de Estado de 2021. O sistema de saúde e a infraestrutura do país já estavam debilitados antes do terremoto, o que dificulta ainda mais as operações de resgate e socorro às vítimas.
Enquanto isso, o Governo de Unidade Nacional, formado pela oposição à junta militar, afirmou que também está mobilizado para prestar ajuda humanitária, mesmo com as limitações impostas pelo conflito interno.
Socorristas seguem enfrentando um cenário de destruição, instabilidade e medo de novos desabamentos, que seguem colocando em risco tanto as vítimas quanto as equipes que tentam salvar vidas.
Imagens: Redes Sociais