Oragilda Fernandes, de 29 anos, foi presa e responderá por triplo homicídio qualificado; polícia descarta relação com conflitos agrários.
A Polícia Civil de Dourados esclareceu o trágico caso que resultou na morte de duas mulheres e uma criança durante a madrugada de domingo para segunda-feira (31), no acampamento indígena Avae’te, na zona rural do município. Após investigações, Oragilda Batista Fernandes, de 29 anos, foi presa em flagrante e autuada por triplo homicídio qualificado. Segundo a polícia, o crime foi motivado por um desentendimento durante o consumo de bebidas alcoólicas entre a autora e as vítimas.
De acordo com a apuração, Oragilda teria agredido Liria Isnarde Batista, de 76 anos, com um golpe na cabeça utilizando um pedaço de concreto. Em seguida, teria asfixiado a neta da idosa, uma bebê de apenas um ano, que chorava no momento da agressão. Logo depois, já do lado de fora do barraco, ela usou um líquido inflamável para atear fogo na estrutura onde dormiam Janaína Benites Amarilha, de 36 anos, mãe da criança, e a própria idosa.
As três vítimas foram encontradas carbonizadas. Oragilda também sofreu queimaduras nos braços ao se aproximar das chamas e foi localizada horas depois, ainda embriagada, na Aldeia Bororó, próxima ao local do crime. Ela portava uma caixa de fósforos e apresentava sinais de queimaduras recentes, o que reforçou a suspeita de participação direta no incêndio.
Segundo a Polícia Civil, uma testemunha presenciou o momento em que Oragilda deixou o barraco instantes antes do início do incêndio, ajudando a esclarecer a dinâmica dos fatos. A investigada chegou a apresentar versões diferentes durante os interrogatórios, mas as provas reunidas confirmaram seu envolvimento direto. A polícia não encontrou indícios de participação de outras pessoas no crime.
O delegado responsável pelo caso destacou que Oragilda era amiga das vítimas e que o grupo consumia álcool desde a noite anterior. “O crime foi consequência de uma discussão banal, agravada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Não há relação com conflitos fundiários ou disputas por terras”, afirmou.
A Polícia Civil fez questão de esclarecer que não há qualquer ligação entre o crime e conflitos agrários, apesar de algumas organizações e autoridades terem sugerido essa hipótese nas horas seguintes ao ocorrido. Inclusive, uma nota oficial divulgada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania chegou a mencionar a suspeita de ataque armado no acampamento, mas o conteúdo foi retirado do ar horas depois.
Parlamentares e representantes do movimento indígena também se manifestaram nas redes sociais relacionando as mortes a disputas territoriais. No entanto, a investigação aponta que a tragédia foi resultado exclusivo de um episódio de violência isolado, sem conexão com a questão da terra.
Oragilda Fernandes segue presa e está à disposição da Justiça para responder pelas mortes. A Polícia Civil reforça que o caso está encerrado e devidamente esclarecido.